Um lugar para arquiteturas - O 'Metropolitano'

Por Angela Rosh Rodrigues

A importância do metrô (nome corrente em português do “Metropolitano”) é inquestionável para a mobilidade urbana de qualquer cidade. O primeiro metropolitano foi instalado em 1863 naquela que foi, por décadas, a cidade mais populosa do mundo – Londres. Atualmente a maior rede de metrô do mundo é a da Xangai com cerca de 420 km, Nova Iorque e Londres vem em seguida com 418 e 408 km, respectivamente.

Além da inovação e facilidade que esse transporte sobre trilhos traz ao planejamento urbano, estações de metrô são também projetadas com atenção se tornando elementos interessantes na paisagem urbana. Em Paris, por exemplo, são emblemáticas as entradas de estações do arquiteto Hector Guimard, construídas entre 1899 e 1900, no chamado estilo Art Nouveau que associa desenhos rebuscados a materiais como ferro e vidro e nos remetem a uma típica expressão do modernismo do fim do século XIX. Desse mesmo período, é o projeto do arquiteto Otto Wagner para a estação Karlplatz em Viena representativa do movimento moderno denominado “Secessão vienense”.

Paris, saída de estação do Metrô por Hector Guimard. Fonte: www.avenuedstereo.comViena, estação de Kalrplatz por Otto Wagner, década de 1890. Fonte: en.wikipedia.org/wiki
As estações do metrô de Moscou construídas durante o governo de Stalin a partir de 1935, também são reconhecidas mundialmente pela suntuosidade de sua decoração interior, com revestimentos nobres que remetem a um tema palaciano, ainda que haja inúmeras referências à revolução comunista. A rede metroviária de Moscou está entre as dez maiores do mundo com cerca de 300 km de trilhos. No hemisfério Sul a primeira rede de metrô instalada foi em Buenos Aires, inaugurada em 1913 e que hoje conta com cerca de 52 km.

Moscou, suntuosidade nas estações de metrô. Fonte: www.esvaziandoamochila.comBuenos Aires, construção do metrô em 1912. Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/
No Brasil, a primeira implantação do metropolitano foi na cidade de São Paulo. Embora houvesse projetos de planejamento urbano que vislumbrassem a necessidade anteriormente, a efetiva construção somente teve início na década de 1970, sendo inaugurado em 1974. A partir daí outras capitais e cidades tem desenvolvido suas redes de metrô como Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Teresina, Brasília, Fortaleza, Campinas, dentre outras. Atualmente as maiores redes do Brasil estão em Brasília e, principalmente, São Paulo com cerca de 75 km.

A Estação da Sé foi inaugurada em 1978, numa operação urbana que alterou a configuração do marco zero da cidade, constituindo praça com paisagismo de Burle Marx e a criação de um museu de esculturas a céu aberto com obras de artistas plásticos como Marcelo Nitsche e Caciporé Torres.

São Paulo, estação da Sé – inauguração 1978. Fonte: www.memoriametro.com.br
Tendo em vista essa experiência, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), desenvolveu durante a década de 1990 incentivos a projetos com o objetivo de integração cultural. O denominado projeto “Arte no Metrô, vencedor da V Bienal de Arquitetura em Buenos Aires (1993) promoveu a instalação de obras de renomados artistas plásticos em algumas de suas estações - como Maria Bonomi, Alex Fleming, Gilberto Salvador, Tomie Ohtake, Fernando Lemos, dentre outros – contabilizando um acervo de 86 peças.

Metrô de São Paulo, instalações de Tomie Ohtake, década de 1990 / Metrô de São Paulo, instalação Fernando Lemos, década de 1990. Fonte: www.memoriametro.com.br
Atualmente, o tema metrô numa cidade como São Paulo é associado a uma questão vital de manutenção da fluidez urbana e envolve a problemática da restrição, da cada vez maior demanda e das polêmicas geradas pelas desapropriações, como aquela ainda na década de 1970 do Colégio Caetano de Campos na Praça República que felizmente não foi efetivada devido à reinvindicação da mobilização popular em prol de sua preservação.

Ainda assim, o fato destacado aqui, além da inegável necessidade desse meio de transporte, é a importância da construção de estruturas de qualidade e utilização criativa desses espaços de deslocamento que são parte do cotidiano das grandes metrópoles e que, certamente, compõe a história de nossa cultura.

Angela Rosch Rodrigues é arquiteta e urbanista, mestre em História e fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo e colaboradora do Pastilhas Coloridas.