Álbuns Clássicos - EMBALO (Tenório Jr./1964)

Por Marcelo Mendez

Em 1998 eu dei la uma bela de uma radicalizada:

Só ouvia funk, soul e umas coisas obscuras de samba rock. Numa dessas o amigo Zé Renato, musico dos bom mesmo, em meio a umas cervejas Serra Malte que há época eu bebia em larga profusão me falou:

“Você deveria ouvir mais o nosso samba-jazz aqui, Marcelo. Vou te emprestar umas coisas...”

Pra falar a verdade no dia, eu tava muito bêbado e nem dei atenção. Aeee no outro dia, quando o encontrei novamente na esbórnia ele me trouxe uma bolachona.

Perguntei:

“Que é isso ae Zé??”

“Isso é Tenório Jr. Ouve lá e depois você me fala”

Falei! E hoje vou falar pra todo mundo aqui em Álbuns Clássicos...

Senhouras e senhoures com vocês, EMBALO, disco de 1964 do graaaaandeee Tenório Jr.

Amigo leitor, infelizmente a vida de Tenório Jr. Foi curta e atribulada não por culpa dele mas enfim....

Francisco Tenório Jr. Nasceu em 1943 no Rio De Janeiro, cria clássica das Laranjeiras. Por la começa seus estudos de piano para se tornar uma dos maiores músicos do Brasil, um dos mais influentes da história da bossa nova. Bem molequinho, começa a frequentar o Beco das Garrafas em Copacabana e ali conhece a fina flor do que viria a ser o Samba Jazz. Junto com Milton Banana e o baixista Zezinho, montam o trio do batera e então seu piano passa a ser requisitado por todo mundo.

Tenório Jr. em 1964
Em 1963, dividia seu tempo entre os estudos na Faculdade de Medicina e as participações que fazia em gravações de grupos seminais como Os Cobras, Edison Machado e outras tantas feras. Chama atenção da gravadora Elenco e por ela é convidado para gravar o disco hoje em questão.

No começo de 1964, ele consegue reunir as feras Sérgio Barroso (baixo), Milton Banana (bateria) Rubens Bassini (congas), Celso Brando (violão), Neco (guitarra), Pedro Paulo e Maurílio (trompete), Edson Maciel e Raul de Souza (trombone), Paulo Moura (sax alto), J. T. Meirelles e Hector Costita (sax tenor) e entra no estúdio para começar compor EMBALO. Que espetáculo!

Para sua estreia, Tenório compõe canções espetaculares como a faixa-título Embalo e outras pérolas como “Nebulosa”, “Samadhi”, “Néctar” e “Estou Nessa Agora”, além da sacolejante“Carnaval sem Assunto”, do seu parceiro Zezinho que encerra o álbum. Um espetáculo de disco! Com ele, Tenórinho, como era chamado pelos amigos, muda de status definitivamente no meio musical. Passa a ser uma referencia no que se perpetuou por aqui como Samba jazz. Seguiu sua vida de maneira tranquila e produtiva até o ano da tragédia em 1976...

Durante uma turnê pela Argentina, quando acompanhava Vinicius de Moraes e Toquinho, Tenório desaparece. Do nada! Simplesmente some! Diversas buscas, esforços e nada... Evaporou o musico. Ninguém sabia absolutamente nada sobre o ocorrido. A coisa seguiu assim até 1986, 10 anos depois, quando pousa por aqui uma porra de uma ave de rapina, um desgraçado ae, tal de Claudio Vallejos que não é nada porque é um ex torturador da ditadura argentina. Em uma entrevista dada a Revista Senhor, o desgraçado revela que sabia que Tenórinho, durante um passeio pela cidade foi abordado por uma patrulha do Regime Militar Argentino e por ela, detido. A partir dae ficou-se sabendo de tudo...

Tenório Jr. em 1976
Tenório foi sequestrado. Durante 14 dias foi barbaramente torturado e em seguida, executado com um tiro na cabeça. Ele tinha tinha 33 anos e deixou quatro filhos e a esposa grávida de oito meses. Após o desaparecimento de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu um curta chamado Balada para Tenório. Com a entrevista do safado torturador em 1986 uma produtora de São Paulo juntamente com Rogério Lima conseguiram gravar seu depoimento que foi usado como base para o documentário em vídeo "TENÓRIO JR.?", que conta a tragédia ocorrida com este músico. Vallejos, denunciado por grupos de defesa de direitos humanos foi preso logo após a entrevista, expulso daqui três meses depois e espero que ele esteja agora queimando no mármore do capeta, vagando entre o inferno e a casa do caralho! Enfim...

Esse documentário foi atualizado e apresentado pela TV Cultura ano passado. O filme Bossa Nova de 2006 faz la uma menção a Tenórinho através do personagem de Rodrigo Santoro. Alem disso rola um projeto do cineasta Espanhol Fernando Trueba para produzir longa metragem sobre o caso que envolve Tenório Jr.

Aqui em Álbuns Clássicos os amigos terão a chance de conhecer o musico espetacular que foi Tenório Jr com a sensacional EMBALO ae no player abaixo. De presente ae pelas capas vai o linkão e agora já sabem qualé...

Tasca o player ae e perigas ver!



Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.

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