Xico Sá e as Pastilhas de um Carapuceiro

Nosso amigo e colaborador Marcelo Mendez, há algum tempo vem estreitando a relação entre o Pastilhas e o multi-homem Xico Sá. Então nada mais justo do que ele fazer as honras da casa...

"Eu sou completamente suspeito para falar do Senhor Francisco Reginaldo, dada minha enorme amizade com a entidade a qual ele representa ca entre nós da São Paulo de Piratininga... Xico Sá é algo de muito bom.
Escritor, Repórter, Cronista, Jornalista, Colunista e mais que tudo, grande amigo. Xico consegue trazer consigo em tudo que faz, uma maravilhosa sensiblidade, um incrível poder de compreensão humana dessa coisa maravilhosa que é a vida. E aqui em Pastilhas Coloridas ele fará um cadinho disso.
A partir de hoje, por todas as quintas, o amigo Xico Sá nos dará grande orgulho de te-lo como colunista, publicando aqui parte de suas obras escritas entre 2005 e 2010 e mais outras mumunhas nossas. Então daqui pra frente os senhores se deleitem com as letras do amigo e nós, do Pastilhas Coloridas temos grande prazer de dizer ao novo colunista...

Seja Bem Vindo, Xico..."

A MULHER E O GARÇOM, OU SEJA, AS MELHORES COISAS DESSE MUNDO

Numa mesa de bar, claro.

Se não, não teria graça. Eu nem contaria.

Confesso que bebi,seu Jaguar.

Deus deveria parar o cronômetro, como um juiz de basquete, quando a vida não tivesse como locações a cama ou o botequim.

Mas nada é tão justo assim.

Numa mesa de bar. Exterior, calçada, noite.

A nega indaga:

“Por que será que garçom só decora nome de homem?”

A nega é mulher do amigo Jotabê, compadre.

De mulher de amigo também não sei sequer o batismo, o sagrado nome. Vê se pode uma coisa dessas!

Garçom só decora nome de homem?

Arrisco uma tese, PhD de pé-sujo. Com ajuda da amiga Ana Weiss, a linda do lado.

O bar é minha UFPE, meu Centro de Artes, minha UFPR, minha universidade católica, meu doutorado da USP, minha filosofia, minha cachaça, minha cátedra, minha nota de rodapé, minha escolástica...

Desde o “Robertão 70”, onde eu bebia no Recife com Evaldo Costa, ao som do Rei e sob às vistas do sósia-proprietário, grande homem tragicamente assassinado.

A tese, sem mais torresmos mentais: ora, homem confia e trata bem o garçom, faz favor.

O garçom é o cúmplice, o ombro amigo, o divã que anda e traz o Freud, o Lacan engarrafado.

Mulher contesta.

Mulher é que confere as contas.

Mulher é Procom, homem é fraude e festa.

Mulher acha que o garçom é aquele quarto árbitro que sempre levanta a placa do acréscimo, na beirada do campo, pedindo mais tempo, mais uma saideira.

- Seu garçom faça o favor!

Garçom é a encarnação do anjo da guarda dos machos.

Garçom mantém o respeito e guarda a sete chaves o batismo das nossas melhores costelas.

Num bar, a simples pronúncia do nome de uma mulher já é o maior dos pecados. Ele sabe.

E se for mulher dos outros, meu Deus, cem anos de inferno.

Não há a menor réstia de machismo, minhas queridas, nessa elipse de gravata borboleta. Não é falha. O garçom não vos chama pelo nome por excesso de zelo, omissão sagrada, amém.

Garçom está além do bem e do mal, acima de homem e de mulher, garçom é a ONU da existência, mais uma, faz favor, e pergunta ai ao freguês de lado de quanto o meu time apanhou!

Xico Sá, escritor e jornalista, colunista da Folha, autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e mais 10 livros. Na TV, participa do programa “Saia Justa” no canal GNT. E agora é parceiro nosso aqui pelas bandas do Pastilhas.

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