Uma grande amiga minha vive brincando com uma profecia que o seu querido pai deferiu antes da filha arrumar as malas e deixar São Luís do Maranhão rumo a São Paulo: “Vai morar em São Paulo pra ver show!”. O pai da moça estava coberto de razão.
São Paulo é uma das maiores capitais culturais desse mundo “véio sem pôrtera” e isso é ótimo, mas o problema é que de uns tempos pra cá toda essa variedade tem sido restringida a poucos privilegiados que podem pagar o preço que a cidade cobra. Tirando o SESC, é só facada no peito.
Essa conversa é velha e sempre vem à tona quando algum espetáculo muito esperado resolve dar as caras por aqui, e depois de confirmado, anuncia o valor dos cobiçados ingressos. Aconteceu isso com o festival Lollapalooza no final do ano passado e agora a bola da vez é o show do lendário Bob Dylan, cujos valores bateram na casa dos 900 paus.
Na última passagem do figura pela cidade, em 2008 se não estou enganado, li um texto de um fã que provava ser mais barato assistir ao show na Argentina, incluindo passagem e tudo. E nessa turnê a coisa deve estar na mesma pegada. É mole?! Acho que moles somos nós mesmos!
Tá! Parece que dessa vez até tem um ingresso de 150 paus, tal de “Visão Parcial”. Agora, me responda rápido: Quem quer ir ver um show de um artista que você gosta demais, com a porra da visão parcial?! Deve ser atrás de um muro e você vê só o pé do baterista. Ou é pegadinha. Você chega lá pra ver o Dylan e aparece o Sérgio Malandro com violão cantando “Vem fazer Glu Glu Mr. Tambourine Man”.
Enfim, mesmo esse assalto rolando na cara dura - vezes justificado pela maldita meia-entrada, vezes por causa dos impostos - não pense você que os ingressos encalham, muito pelo contrário, é um frenesi danado. Só que, no caso Dylan, a possibilidade de ter alguém do seu lado pedindo pra ele tocar “No Woman No Cry” bate os 80%.
Talvez 90% ...















É isso ai. Enquanto tiver neguinho aceitando ser extorquido... nada vai mudar!
ResponderExcluirNada a acrescentar!
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